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Como foi dito, Jerry não estava mais lá. Nada de alarmante no momento, pois sua ausência só seria sentida na manhã seguinte, quando seus pais perceberam que ele não se levantou para comer. Jerry morava com seus pais (esporádica e temporariamente, já que as brigas com a esposa se tornaram uma constante, e, apesar de não ser corriqueiro, também não era nenhuma surpresa quando ele aparecia em sua antiga casa por volta das 3 manhã, todos os seu pertences enfiados no porta-malas do carro. Seus pais se acostumaram a manter seu antigo quarto preparado).

Quem também não percebeu o acontecido foram os passageiros de um avião comercial que fazia a rota Roma-Oslo, pois estes tinham outra preocupação em mente. Mais especificamente, tentarem manter-se em seus assentos enquanto uma das turbinas do avião se despedaçava e a aeronave se transformava em uma enorme massa de metal despencando em direção ao solo com uma velocidade alarmante. Fatalmente, a aeronave, recém-destituída de seu status de meio de transporte aéreo, fez juz a sua nova condição de um imenso caixão de metal para 180 tripulantes e acomodou-se no solo da melhor maneira possível dada as circunstâncias. Ou seja, esfarelou-se chão, espalhando seus destroços e os dos já citados passageiros em um raio de 500 metros, em uma pequena cidade alemã.

Eram 14:23, hora local, com uma agradável temperatura de 28 graus, sem previsão de chuva, quando o avião, por falta de uma expressão melhor, aterrisou. Definitivamente, não foi uma boa viagem.

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De repente, Jerry não estava mais lá. Suas pernas ficaram moles, ele não conseguia mais sentir seu pescoço (o que era muito incomodo, uma vez que tinha quase certeza que sua cabeça continuava fisicamente presa a ele). Ele sabia que estava piscando, mas aparentemente, suas pálpebras não estavam onde deveriam estar – cobrindo seus olhos. Subitamente, isso também deixou de ser um problema, já que ele também não estava mais enxergando. Ou era isso que lhe parecia, pois o que seu cérebro registrava não condizia com a varanda da casa de seus pais. A mesa branca de plástico, a piscina, o notebook a sua frente, o cinzeiro que sua irmã trouxe de Barcelona.

A princípio, tudo foi substituído abruptamente por um besouro gigantesco, de asas abertas, um grande teclado antigo de máquina de escrever onde deveria estar o corpo do enorme inseto. Mas isso também logo sumiu de sua vista, sem que ele pudesse entender que essa cena fora apenas resgatada de sua memória tardia, um frame de um antigo filme do Cronenberg, na tentativa de transformar a situação em algo que fizesse o mínimo sentido.

Seu subconsciente estava trabalhando com uma sobrecarga imensa, fazendo o trabalho sujo para Jerry, que não conseguia processar diretamente o que estava acontecendo, trazendo a tona alguma coisa, qualquer coisa, que servisse como o fio que puxasse o resto do raciocínio para compreender o incompreensível. Jerry sentiu sua cabeça esquentar, literalmente, como um motor cujo sistema de ventilação houvesse parado de funcionar.

Ele ainda assistiu, sem poder interagir, a algumas outras cenas produzidas pelo seu subconsciente, que buscava incessantemente por uma peça que se encaixasse na situação. Mas foi inútil. Sua mente buscava pelo bloco que faltava para completar uma linha de Tetris, sem saber que não havia peça que se encaixasse no vão que surgiu em sua linha de raciocínio.

Após algumas tentativas frustradas, seu cérebro simplesmente parou. Bruscamente, a realidade voltou ao normal. Por uma fração de segundo, não havia nada, uma total ausência de percepção. E então, lá estavam, como se nunca houvessem sumido, a mesa, o computador, o cinzeiro, a piscina. Por 2 segundos, silêncio total. Uma batida de sinos.

Sua primeira reação foi se lembrar de respirar, e manifestou isso com uma profunda inspiração, seus pulmões se enchendo totalmente, sua caixa toráxica se dilatando ao máximo para dar o espaço que faltava a seus pulmões. Aguardou mais 3 segundos para expirar, apreciando a sensação de estar vivo.

Mas ele não expirou. Jerry desapareceu.

E foi aí que fodeu tudo.

Transmetropolitan

Lendo quadrinhos há mais de 20 anos, fazia tempo que não achava alguma coisa original nas prateleiras de banca, sebos e livrarias. Abandonei os quadrinhos tradicionais de super-heróis, não por ser hipócrita e achar que personagens com a cueca por cima das calças fosse coisa de criança, mas sim pelo fato das editoras não publicarem praticamente NADA que preste há tempos. Alguma exceções, claro, mas pode-se dizer que os quadrinhos de super-heróis estão mortos.

Transmetropolitan Vol. 1

Em uma dessas exceções, conhecí Planetary. Warren Ellis, escritor britânico de hqs, foi praticamente o Tarantino dos quadrinhos nessa série. Abusou de referências à ficção científica, homenageou diversos personagens clássicos das hqs, e o mais importante, criou uma puta história, daquelas que te faz parar de vez em quando na sua prateleira de quadrinhos e ficar admirando a coleção (Como assim, você não tem uma prateleira de quadrinhos? Tá fazendo o que lendo isto?).

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Prateleira 23-08-10

Mais uma visita ao submundo dos livros usados. Ainda tem um do Arthur Clarke que esquecí o nome. Acho que é “As Fontes do Paraíso”. Sabe como é férias, dá uma preguiça de tirar a bunda da cadeira para ir até o armário e checar. Em todo o caso, essa edição em português não consta no catálogo da LibraryThing, até porque deve ser uma edição antiga do Círculo do Livro, que não respeita o ISBN.

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Gênio

Ou esse cara é um gênio, ou é um completo retardado. Talvez ambos.

Não é qualquer um que consegue colocar o LHC, a emoção do parto e paradoxo espaço temporal em uma tira de 7 painéis, desenhados no paint pelo que parece ser um disléxico chapado de crack.

Virei fã.

“ele vai rasgar o espaço-tempo”

“e daí, tou pagando!”

BHUAHUAHUAHUAHUA. Ainda tenho esperança na humanidade depois disso.